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A Ãndia, agora, mora ao lado
10/09/2007
Já é quase que redundância falar do crescimento estrondoso e mundial da terceirização em TI. Os negócios e serviços na área crescem a passos largos e as empresas estão de olho no mercado de forma global. Tanto é que as barreiras geográficas hoje são só um detalhe. As gigantes indianas vêm aà e ao que tudo indica para ficar. Desembarcam no Brasil a TCS (Tata Consultancy Services), Patni e Satyam. A Wipro também já oferece serviços em Curitiba (PR). Outra empresa que está chegando ao Brasil e a Argentina é a Cognizant, que tem sede nos Estados Unidos, mas uma grande filial na Ãndia. E pela ebulição do mercado esse é só o começo. Elas chegam oferecendo serviços para clientes mundiais e causando esperados impactos e expectativas nas empresas já estabelecidas. Afinal o que significa para a invasão indiana? Novas parcerias ou uma concorrência literalmente arrasadora?
Os números impressionam. A Tata tem 83,5 mil funcionários, fatura 3,7 bilhões de dólares e é a maior empresa do setor. A Wipro é a terceira maior. Fatura 2,4 bilhões de dólares e tem 66 mil funcionários. A Satyam é a quinta maior empresa, com faturamento de 1,4 bilhão de dólares e mais de 38 mil funcionários. Em décimo segundo lugar vem a Patni. São 584 milhões de dólares em faturamento e 12,8 mil funcionários. A Cognizant possui 30,6 mil de seus 38 mil funcionários na Ãndia e teve faturamento de 1,4 bilhões de dólares em 2006.
É claro que essas gigantes estão de olho no mercado interno brasileiro. Se a lógica usada for a da concorrência pura e simples, o cenário parece assustador. As indianas estão no topo do faturamento do mercado de TI. A maior fatia dos 40 bilhões de dólares em serviços de terceirização em TI do ano passado ficou com a Ãndia. E elas querem mais e se prepararam para isso. A Ãndia percebeu o mercado e começou a oferecer serviços de call center e de programação mais baratos, assim ela conseguiu espaço e hoje fatura bilhões de dólares ao ano nesse negócio.
Em 2008 a previsão é que os negócios em terceirização em TI alcancem 70 bilhões de dólares. A Ãndia deve abocanhar 50% desse valor. Mas o que parece ameaçador pode ser também estratégico para o mercado local. Para o Presidente da SIGMA Dataserv Informática S/A, Guy Manuel, a chegada das empresas indianas vai trazer sim impactos para indústria de software no Brasil, mas esses impactos podem ser positivos. “Vejo possibilidade de parcerias e de crescimento mútuoâ€, diz. É claro que os grandes grupos estão chegando para tomar conta do mercado, mas não para destruir os competidores que já estão aqui. Eles estão aproveitando o momento de expansão para outros paÃses e prepararam nos últimos 25 anos para ter um projeto global, projeto, aliás, muito bem sucedido. “Eles fizeram muito bem o dever de casaâ€, diz o presidente da SIGMA. Para se ter uma idéia, para ganhar o mercado global grupos são treinados para ter sotaques americanos especÃficos, de acordo com cada região e assim oferecer bons serviços de call center. “Os indianos não estão no mercado a passeio e nós temos que enxergá-los pelo lado da oportunidadeâ€. Para Guy Manuel é possÃvel cooperar e competir ao mesmo tempo. “Teremos chances de fechar boas parcerias também com as empresas indianas, assim como fazemos como as americanas e outras, temos conhecimento do mercado local e uma agilidade negócios que as gigantes podem não terâ€.
A mesma visão é compartilhada pelo proprietário da Choice, uma das parceiras da SIGMA em Ourinhos (SP), Edes Landin. Ele lembra que o mercado está em franca expansão e o Brasil precisa estar no mesmo ritmo. A expectativa é que no ano que vem o Brasil negocie pelo menos 5 bilhões dos 70 previstos para a área de terceirização em TI. A fatia ainda é pequena, mas representa um salto em relação aos atuais números. A terceirização, inclusive aquela que se faz fora do paÃs de origem, está crescendo 40% ao ano, de cinco anos para cá. “A Ãndia faz parte desse crescimento e o Brasil tem que pegar esse bondeâ€, alerta Landin. Ele lembra que as empresas indianas estão em busca da América Latina é claro por motivos estratégicos. A proximidade com a América do Norte - principal fonte de negócios de Outsourcing, a vantagem do fuso horário - similar com diversos paÃses, a proximidade geográfica e os hábitos culturais. Além disso, para os clientes mundiais das indianas é muito interessante a diversidade geo-polÃtica. É preciso oferecer novos destinos e assim manter os clientes. Afinal, a Ãndia sofre por falta de infra-estrutura e mão-de-obra. Ou seja, o que falta lá do lado asiático, a Ãndia encontrou aqui no Brasil.
Para alguns essa “revolução†indiana que desembarca por aqui pode significar também o reforço do Brasil no cenário internacional quando o assunto é TI, a criação de um pólo que vai chamar a atenção para mundo e conseqüentemente de novas empresas e investidores. Assim, o mercado tende a crescer e se movimentar mais. Entre os pensadores dessa linha mais otimista está o vice-presidente da ASSESPRO, Mauro Sorgenfrei. “Vai caber a nós aproveitarmos essa situação. Se estão vindo para cá é porque estão vendo potencialâ€, diz. Para ele é uma chance de as empresas que trabalham internamente apostarem em mais desenvolvimento. “Creio que é uma oportunidade para as empresas daqui elevarem ainda mais seu nÃvel de qualificação, gestão e técnica. Com isso, elas poderão competir no mercado nacional e no internacionalâ€.
Agora o Brasil precisa correr atrás do prejuÃzo. Não apenas para trabalhar junto com as gigantes indianas, mas para desenvolver um grande projeto e se destacar no mercado internacional de TI. O paÃs tem a vantagem da qualidade técnica, do fuso horário e da diversidade cultural. Tem a desvantagem da lÃngua. A população não fala inglês. Então, agora é preciso se preparar, assim como os indianos fizeram. Profissionalizar mais e trabalhar para que essa caminhada aconteça de forma acelerada.
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Fonte: Joice Hasselmann - Assessoria SIGMA



