NotÃcias
A Tecnologia nas eleições
08/11/2007
Hoje parece inimaginável pensar em eleições no Brasil sem o uso da urna eletrônica. Há mais de uma década esse recurso tecnológico está a disposição da justiça eleitoral. Mas até chegar a esse ponto houve um caminho trilhado de inovações e uso da TI. Aliás, o Brasil que ainda é uma jovem democracia, saiu na frente em matéria de tecnologia e deixou para trás os chamados paÃses desenvolvidos.
O pontapé inicial foi no Paraná no ano de 1976, época de eleição para vereador em Curitiba e como em todas as cidades a contagem de votos era manual. Um processo questionável. Foi então que a SIGMA Dataserv, prevendo mudanças no sistema de contagem de votos, propôs ao Tribunal Regional Eleitoral um sistema de contagem de votos com o uso de computadores. O método seria mais moderno, mais rápido e mais preciso do que o até então utilizado. A totalização paralela dos boletins de urna atenderia à imprensa, afoita pelo resultado da eleição.
A inovação deu certo e o TRE decidiu, a partir daÃ, usar tecnologia para contagem. Dois anos depois, em 1978, a SIGMA, depois de ganhar uma concorrência pública, passou a fazer a totalização oficial do Tribunal. O processo foi sendo especializado e o trabalho ganhando mais credibilidade a cada eleição. A tecnologia usada no Paraná para contagem de votos nas eleições foi espalhada para outros estados. O modelo adotado antecedeu a urna eletrônica, aliás, a primeira especificação conceitual de urna foi criada pela SIGMA. Para o diretor-geral do TRE-PR, Ivan Gradowski, o ano de 1976 foi um dos grandes marcos do processo eleitoral do paÃs e o inÃcio de uma caminho sem volta. “O projeto implementado pela SIGMA se tornou vitorioso e foi utilizado em várias eleições. Realmente foi muito importante para que ganhássemos experiência para o perÃodo que viria pela frenteâ€, diz.
Outro marco aconteceu 10 anos depois disso. Em 1986 iniciou o processo de recadastramento eleitoral em todo o paÃs. O cadastro dos eleitores passou então a ser informatizado e gerenciado pelo TSE. As zonas eleitorais foram interligadas por redes de computadores com toda a justiça eleitoral.
Depois do recadastramento, houve a implantação de um novo programa informatizado para totalização de votos. Em 1989 a apuração se tornou mais rápida. Os eleitores foram reunidos num único cadastro, através de um sistema também desenvolvido pela SIGMA. Com o cadastramento e o uso já a mais de uma década da tecnologia para contagem de votos, primeiro de forma extra-oficial e depois oficialmente, o caminho estava quase pronto para a chegada da urna eletrônica. Mas o diretor do TRE- PR lembra que antes houve outros avanços importantes envolvendo a TI.
Em 1990, o Tribunal investiu na compra de 50 microcomputadores, um grande investimento na época. Então foi instalada a primeira rede de comunicação do TRE- PR. Em 1994, cada zona eleitoral do estado dispunha de computador. Era hora de levar a tecnologia de forma prática também para o cidadão. No dia 7 de junho de 1995 (comemoração de 50 anos do TRE) o alistamento eleitoral foi totalmente informatizado em Curitiba. Em dezembro de 1996, o trabalho de informatização dos cartórios eleitorais foi concluÃdo. Desde então o eleitor vai a uma zona eleitoral uma única vez e em 15 minutos sai com o tÃtulo em mãos. Para Gradowski “aà sim o terreno estava preparado para todo o processo eletrônicoâ€.
Em 1996 a urna eletrônica chegou para marcar com força a revolução do processo eleitoral que começou na década de 70. Era a primeira eleição totalmente informatizada da história. Inicialmente só as capitais e municÃpios com mais de 200 mil eleitores teriam a disposição as urnas. No Paraná o processo foi implantado em Curitiba e Londrina. Na eleição de 1998, a urna eletrônica alcançou mais 21 municÃpios no estado e em 2000 toda a população brasileira teve acesso à urna eletrônica.
O diretor-geral do TRE-PR lembra que mesmo com toda diversidade do paÃs, as eleições desde então foram absolutamente tranqüilas, inclusive nos mais distantes lugares, como aldeias indÃgenas ou locais onde há grandes taxas de analfabetismo. Segundo ele, hoje é impossÃvel voltar atrás quando se trata da tecnologia, seria o mesmo que inviabilizar as eleições. “O volume de dados é muito grande, o paÃs é muito grande. Certamente sem o uso da tecnologia a eleição seria muito demorada, conturbada e pouco confiável. A urna eletrônica se transformou na melhor ferramenta já utilizada para votação e totalização dos votos com certeza no mundo inteiroâ€, argumenta.
Gradowski lembra ainda que o processo eleitoral do Brasil é exemplo para outros paises. “Temos experiências muito bem sucedidas em diversas partes do mundoâ€, conta orgulhoso. Todos os anos observadores de outros paÃses acompanham o funcionamento e a excelência do uso da tecnologia no processo.
Mas ele acredita que há muito ainda o que avançar. Nas próximas eleições, o Paraná e mais dois estados usarão em caráter experimental o voto com a identificação digital, ou seja, a identificação do eleitor será feita através da impressão digital. Mais um avanço para garantir a lisura do processo. “Esse processo de identificação digital vai evitar, por exemplo, que ocorra uma eventual votação de um eleitor por outro, o que na prática já é muito incomum, mas de qualquer forma sempre nos preocupamos em evitar qualquer problema desse tipoâ€, diz.
Por isso ele defende cada vez mais os avanços tecnológicos não só no processo eleitoral, mas nos tribunais como um todo. “Se não tivéssemos partido para esse caminho da tecnologia terÃamos uma dificuldade enorme para viabilizar uma eleição e certamente terÃamos todas as seqüelas de uma votação manual que é pouco confiável e pouco precisa. Agora a vontade do eleitor é garantidaâ€.
A justiça eleitoral vem adotando procedimentos cada vez mais adequados para o tratamento das eleições, resultado da tecnologia e da qualidade dos técnicos que desenvolvem esses procedimentos. Uma recente pesquisa feita com a população mostrou que a justiça eleitoral é a mais confiável na visão do brasileiro.
Fonte: Assessoria SIGMA: Joice Hasselmann



